09 julho 2013

O jazz, o vinho e gastronomia / Cais da Villa

Num edifício histórico com mais 100 anos junto à antiga estação de comboios de Vila Real, o jazz, o vinho e a gastronomia formaram um trio improvisado com um rigor de excelência ao longo de três. Falamos do I Festival Jazz & Wine, no Cais da Villarestaurante, wine house e lounge, o palco de uma experiência sensorial que, este domingo, 7 de julho, ficou marcada pelo improviso do idioma jazzístico, que "tem outros condimentos que suportam o improviso, como o ritmo e a harmonia", numa analogia à cadência no univerno vitivinícola, "porque a produção do vinho tem o seu ritmo; a vindima tem o seu ritmo". As palavras são do baterista/percussionista Urbano Oliveira, produtor musical ligado ao jazz desde os anos 1970' e um dos colaboradores do evento, ao lado da enóloga e consultora do Cais da Villa, Marta Casanova, que trabalha na região do Douro há 14 anos e, em breve, irá lançar um marca de vinhos. A conhecer… 
Mas porque os prazeres do palato, aguçados pelo vinho e pela comida, casam bem com os prazeres da música, surgiu o convite para embarcar, antes de mais, numa viagem deleitosa de improvisos pelas mãos do músico Luís Ruvina, com o seu Hammond, o instrumento de eleição… ou não, "porque há instrumentos que escolhem as pessoas". Um pequeno concerto memorável acompanhado, no final, pela percussão de Urbano Oliveira, num reviver dos velhos tempos, pois no que toca à música, "há 15 anos que não tocávamos juntos", revela Luís Ruvina. Sonoridades que terminaram com o Quinteto João Capinha.



Depois do jazz foi a vez do jantar pelas mãos do chef Vítor Matos, da conceituada Casa da Calçada Relais & Châteaux, que mantém a sua estrela no Guia Michelin de 2013. À mesa, a recriação da gastronomia portuguesa é reinterpretada com a arte de um verdadeiro mestre. Para abrir o apetite, a recriação do tradicional Melão com presunto, seguido de um colorido Parfait de foie gras e label rouge com gingas. Do mar veio a Cavala marinada acompanhada por um granizado de gaspacho; o Bacalhau de cura ligeira, com sucos de pimentos assados, cinza de alho e coentros; e um soberbo Salmonete com molho de ouriço-do-mar, canelonne de carabineiro e percebes. Da terra, as cores do bosque acompanham o Leitão Bísaro, com molho de pimenta, aipo e trufa, balsâmico velho e laranja. A rematar: Pêssego Melba. Uma homenagem ao chef Auguste Escoffier. O repasto contou com a companhia de Baco, bem representado numa pequena seleção do néctar dos deuses dos cerca de 25 produtores de vinhos do Douro e Porto presentes no evento, a agendar para o próximo ano.

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