"100 Umbrellas" vai abrir o 22.º Jazz no Parque de Serralves. O quinteto liderado por José Menezes leva, no próximo dia 14 de julho, ao Parque de Serralves, música sobre Eric Satie reafirmando a realidade do jazz nacional na sua experimentação e clandestinidade. Sobre este trabalho com a música de Satie no horizonte José Menezes diz "Satie foi um criador visionário que, com extrema elegância e ironia, contornou as músicas do seu tempo. Manipulando com mestria as expectativas do ouvinte e criando um universo musical e sonoro impensado até aí, a música de Satie tem vindo, desde essa altura, a influenciar transversalmente toda a produção artística. Muitos dos elementos centrais da música de Eric Satie, são-no também, em meu entender, à linguagem improvisada. A dissonância, o humor, o gosto pela exploração modal, a imprevisibilidade dos movimentos sonoros, o diálogo constante entre o óbvio e o absurdo são dos elementos através dos quais o projecto '100 Umbrellas' faz a ponte entre a música de Satie e o Jazz contemporâneo". Para este concerto único José Menezes (saxofones) será acompanhado de Gonçalo Marques (trompete), Mário Delgado (guitarras), Carlos Baretto (contrabaixo) e José Salgueiro (bateria), um quinteto cinco estrelas a interpretar sons sobre incontornáveis do mundo jazz.
No domingo seguinte, dia 21 de julho, subirá ao palco The Mingus Project liderado pelo contrabaixista Nelson Cascais. Este projeto remete-nos para um dos pilares do jazz, a sua constante renovação geracional e a aprendizagem musical, na dupla vertente académica e empírica. Professor na Escola Superior de Música de Lisboa, Nelson Cascais tem no nome e essência do seu projeto a herança musical de um dos maiores nomes da cultura jazz Charles Mingus, e junta a si alguns dos seus mais brilhantes alunos, no garante da passagem de testemunho. A troca obrigatória para a (sobre)vivência do jazz, a partilha diária de acordes entre veteranos e novos talentos.
O Jazz no Parque de Serralves encerra no dia 28 de julho com Trio Azul, de Carlos Bica. Um trabalho, uma presença que nos traz realidade histórica que forma decisiva ajudou a assegurar a universalidade do jazz - a troca de conhecimento artístico internacional que trouxe o jazz dos E.U.A. para a Europa, e mais além, e que mais tarde levou os nomes do jazz europeu à homeland do jazz. Não fosse Carlos Bica um músico português a viver na Alemanha, a tocar com um músico alemão e um norte americano... Jazz puramente internacional.
Três concertos a tomar nota na agenda. Três concertos a não perder num país onde o jazz sempre teve uma força especial. Até Serralves, com bons sons!

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