Música que vem da encosta da Serra da Estrela com o embalo que, rapidamente, no cai no goto… melhor, no ouvido.
Flávio Torres é cantautor, da Covilhã (porque pela Beira também há gente mui criativa), que cria em português e regressa a estúdio para gravar o seu próximo trabalho de originais - a avaliar por trabalho já submetido à prova do público, promete ser álbum a ter na mira.
Em 2012, Flávio deu-nos "Canções de Bolso". Desengane-se, não há qualquer proximidade a um estilo de resumos de livros ou, no caso, de letras ou acordes; é trabalho preenchido, com espinha dorsal segura. E desengane-se se, aos primeiros laivos, lhe parece um músico de intervenção puro. É errónea a rápida rotulagem ao estilo d
'intervenção, seria limitar um projeto que tem um pouco do estilo quando nos entoa "
Marcha de Abril" ou "
Swing da Corja" (para quem não seja tão quedado ao ritmo, aconselhamos a ouvir na mesma, o swing tem swing) e, e.g., no balanço da voz em "
Ó Minha Noite" nos lembra, sem se quer roçar os perímetros limítrofes da colagem, porque Flávio tem identidade definida, o embalo de José Afonso no arranque de "
Estrela d'Alva". É quase imperativa a questão quando se ouve esta noite: será que Flávio nos irá brindar, um dia, com música de embalar como a estrela de Zeca… Voltando ao eixo, este cantautor é música de guitarras, contrabaixo e percussões e, mais que tudo, dos amores tidos e achados, perdidos e desencontrados, mas que não esquece vivências e críticas que encaixam em estados da arte atuais, será certo dizer um cantador de histórias? Música sem gongorismos com a letra a ser a batuta.
Flávio Torres levanta-nos a ponta do véu do que vem por aí, nos inícios de 2014, com este trailer, imagem e edição por Sara Afonso, gravado no
Attack-Release Studio, em Portalegre, com o produtor João P. Miranda, onde o novo projeto ganha estrutura e corpo. Enquanto o novo álbum não sai, espreite o trailer e relembre "Canções de Bolso"
aqui. Bons sons…
Vídeo © Flávio Torres.